Hey Street

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POR QUE O LEMA FAÇA O QUE VOCÊ AMA NEM SEMPRE É TÃO FÁCIL

28/12/2015
Por: fernanda

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Sempre fui defensora do faça o que você ama, e talvez seja por isso que as coisas sempre soaram um pouco mais complicadas. Esse lema é leve, mas ao mesmo tempo gera uma cobrança enorme a respeito do porque ainda não estar fazendo o que tanto se quer fazer. É difícil se jogar no mundo dos sonhos quando a vida toda a gente foi ensinado a manter os pés no chão. Ter o melhor emprego, ser o melhor profissional antes dos 30 anos, ter dinheiro para viagens incríveis, e ainda ter tempo de parecer feliz no instagram. E a gente aguenta até onde dá, faz as coisas que a vida empurra com a pressa que nos ensinaram a ter. É engraçado que aos 20 anos de idade eu ouvia e pensava constantemente que já era tarde demais para fazer algo que eu gostaria. Como assim? Eu tenho 20 anos e penso dessa forma? Tem algo muito errado ai. Obvio que ser feliz nunca pode ser adiado para quando eu estiver estável financeiramente,  ou quando eu for aquilo que acho que tenho que ser, não mesmo, mas também precisamos entender o que é essa tal vida adulta que tanto falam.

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Entre conversas com amigos eu percebi o quanto o medo fala mais alto. E o quanto as descobertas sobre si mesmo, e de talvez ser alguém completamente diferente das próprias expectativas e das expectativas de terceiros, assusta. O medo de errar, de se frustrar, de correr atrás e não conseguir para ontem aquilo que pode demorar uma vida para ser alcançado, e o medo se machucar, parece ser mais devastador do que parece. Não queremos nada que seja difícil demais para digerir, pois estamos na velocidade da internet até na forma que absorvemos os sentimentos e os mandamos para o mundo. É uma geração de ansiosos e de assustados com o futuro, e que acreditam que sempre é tarde de mais para fazer as coisas. Voltar atrás? jamais. A vida parece que está no ritmo de um compartilhamento de uma foto, quando você percebe, já carregou. Mas sempre haverá a opção de excluir e postar de novo, da mesma forma que sempre temos a opção de fazer as coisas de novo, e de novo, quantas vezes quisermos na vida. Precisamos entender que recomeçar não é algo tão ruim quanto parece.

A gente perdeu a percepção de que o erro também é uma parte do processo para acertar, para crescer. E que somos mais do que dizem que somos.

A nossa geração quer mudar o mundo com ideias incríveis, e com uma vontade louca de fazer acontecer, só que sem uma gota de suor caindo pelo rosto, e com a mania de desacreditar de si mesmo. É o mesmo que comprar todos os ingredientes de um bolo e achar que ele vai ficar pronto sem colocar a mão na massa. Temos que parar com esse vício de nos culpar por cada falha que cometemos, somos geneticamente programados para falhar, da mesma forma que somos completamente capazes de dar a volta por cima. Ao mesmo tempo que essa vontade insana de que precisamos viver a vida dos nossos sonhos é boa, as vezes vezes ela é cruel, pois nem sempre a nossa realidade favorece isso. Nem sempre estaremos no emprego mais legal do mundo, nem sempre teremos os melhores momentos, mas as vezes as piores situações que te aconteceram farão sentido em um futuro próximo. Tudo que acontece, tinha que acontecer, nossas escolhas nos levam aos lugares que tínhamos que ir, e não tem por que tentar mudar o que já foi, pois a vida continua a seguir seu fluxo.

Nós não temos que nos acostumar com as coisas que não nos fazem feliz, mas sim perceber que no final dessa estrada turbulenta vai ter valido a pena o esforço, e que foi só um caminho ruim que tivemos que passar. Desistir não torna ninguém fraco, as vezes era necessário, pois nem sempre depende só da gente para algo acontecer. Fazer o que ama não é tarefa fácil,e  as vezes pode demorar mais do que esperamos, e enfrentaremos muitos momentos ruins durante todo o percurso. hoje eu entendi que as vezes o ” não deu certo” que eu pensava, era na verdade o ” deu certo até onde tinha que dar por hoje” e em uma nova oportunidade acertamos mais um pouco. As melhores experiências que podemos ter não está no resultado final de nossas conquistas, e sim em toda a história que tivemos até conquistarmos aquilo que nossa alma tanto pedia. Fazer o que ama é a melhor coisa do mundo, mas não dá para pirar por que não está acontecendo agora. Uma hora tudo pode acontecer, inclusive você perceber que sua vontade mudou. Se permita ser inconstante, pois a vida também é.

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TEXTO: FERNANDA CÂNDIDO/ FOTOS: Brian Oldham.

 

AQUELE GRITO EM SILÊNCIO

06/07/2015
Por: fernanda

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Quando eu fico quieta, eu grito por dentro. Mas quando o grito é estridente, só se escuta barulho. As palavras perdem forma. As paredes começam a rachar. Por que de uma certa maneira, nosso corpo é como uma casa. A cada grito em silêncio algo se parte por dentro como se fosse uma marreta destruindo as colunas principais. Ninguém vê. Ninguém ouve. Quem grita é a coragem pedindo direção enquanto a vida sussurra e vai acontecendo sem um rumo certo. E nem sempre é a gente que dá esse rumo. E acabamos ouvindo o medo, que fala manso, se permite ser entendido. E o nascer do sol é adiado para o dia seguinte. E para o dia seguinte novamente.

E o que passa pela triagem interna durante a fila de espera entre o que aconteceu com a gente, o que acontece e o que acontecerá ,resulta no que vamos deixar para o mundo ver e para o nosso espelho se aliviar. Será que desistir de algo que tanto insisto me deixa mais fraca? Ou é o que me faz existir hoje e ser o que sou agora. Talvez a melhor coisa que não me aconteceu foi a melhor coisa que pode ter acontecido. Vai saber. Tenho pressa, e cisma em me render a um passado que é melhor que o presente, mas que infelizmente nunca aconteceu. Hora errada. Lugar errado. Pessoas erradas. Meu “eu” errado. Ainda assim é mais fácil de lidar do que tudo que já me marcou. Já o que ainda não aconteceu, dá aquela gastrite nervosa e aquela sensação de primeira vez que aterroriza até os mais experientes. Para onde ir? Apenas ir. É melhor sentir seu corpo te desafiando, do que não sentir.

Digamos que a vida seja como uma viagem de carro sem mapa. Por sorte a gente se confunde de esquina e para na esquina certa da nossa vida. Mas como vamos saber que a esquina certa da nossa vida é a primeira esquina que viramos? Se no mundo existe um milhão de esquinas possíveis para gente estacionar? Se vamos estacionar no lugar certo ou na vaga errada, e levar uma multa por isso, não sabemos. E sabe se lá quando vamos saber. Será que o horóscopo estava certo e eu devia ter deixado de sair de casa naquela terça-feira? Por que realmente choveu e eu não estava preparada. Mas não procurei uma marquise para esperar a chuva acalmar, me molhei como se a chuva pudesse limpar algo por dentro. E é isso que a vida faz de certa forma, clareia algo por dentro cada vez que a gente entra pra se entregar. Na trajetória as botas ficam mais sujas e gastas,e os pés mais cansados, mas algo se acalma também.

Aquela velha frase de ” Precisamos nos perder para nos encontrar” soa como uma espécie de conforto. Como se fosse uma rede que te impede de dar com a cara no chão ao pular do décimo quinto andar. De vez em sempre nosso grito interno tenta falar com a gente através de metáforas. Não entendemos muito bem, ficamos confusos. E na maioria vezes ele só quer dizer que precisa que a gente viva mais. E isso não significa no momento, que a felicidade vai estar ali junto também. Ela vai aparecer de vez em quando, quase sempre junto com alguma tristeza já diluída, já arquivada. Mas a vida, ela estará aqui o tempo todo enquanto o sangue ainda for bombeado por todo nosso corpo. Nos perdemos em algumas coisas, nos encontramos em outras.

E como saberemos ao certo se aquele sonho que a gente tem toda noite antes de fechar os olhos, que não deixa o nosso corpo já amortecido pelo cansaço encerrar o dia, se manterá vivo todos os dias? Vivendo. E obvio que coisas ruins irão acontecer, mais do que gostaria, mais do que espera-se e quando menos se esperar. Mas existe uma pequena possibilidade de que exatamente essas coisas, te levem para o lugar que você precisa estar. Dentro de você. Em algum lugar.

As vezes quando a gente escreve, respondemos todas as perguntas que fazemos para vida.

FOTO E TEXTO POR FERNANDA CÂNDIDO – HEY STREET.

CRISE DOS QUASE 20 ANOS

24/06/2015
Por: fernanda

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{ Texto que escrevi a um ano atrás, antes de fazer 20 anos}

Você se vê sentada na sala de espera de uma entrevista de emprego. Já não era a sua primeira entrevista, nem seu primeiro trabalho. Você havia acordado cedo, separado a roupa, tomado banho, feito seu próprio café e programado tudo para que não se atrasasse um minuto. Talvez chegasse até uma hora mais cedo. O pensamento constante de: ” Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo , ou farei com minha vida” mais uma vez, presente.

Você se da conta de que faz mais de um mês que não vê seus melhores amigos. Trabalho, estudo, distância etc. E a internet ? Nunca é a mesma coisa. As festas lotadas de gente desconhecida, as multidões que aos 16 anos eram o sinônimo de: ” Agora sou adulto ” já não são tão divertidas assim. Você começa até, a enxerga-las um pouco vazias.

Você não tem nem 20 anos, mas é como se não houvesse mais tempo. O curso que você queria ano passado, você já não sabe se serve para você. Sua segunda opção, agora é a quinta. E a sua nova primeira escolha, você ainda não descobriu. Talvez você tenha real certeza do que quer para o resto da sua vida, mesmo que o resto da sua vida, dure apenas alguns anos. Infelizmente, não vai dar para dormir mais 5 minutinhos, você precisará continuar avançando.

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O passado se distancia mais do agora, mas as vezes, parece tão perto e nítido. Você percebe também, a importância de ficar calado em alguns momentos, e como suas brigas e confusões internas de alguns anos atrás eram tolas. Mas fazem parte do que
você é . As conquistas ganham proporções diferentes e agora são capazes de te fazer sentir incrível, e por seu mérito. E as frustrações, nunca fizeram tantas marcas. As vezes nos sentimos mais solitários e confusos do que antes, principalmente quando percebemos que o tempo não anda de mãos dadas com a gente.

Aquela corda bamba, aquele momento instável onde tudo é simples e parece estar no alcance de nossas mãos, se distancia. Nem tão criança, nem tão adulto. Agora é tudo ou nada, e tudo depende do quanto depositaremos de nós nas coisas que queremos. A melhor fase de nossas vidas é agora, onde finalmente ela nos pertence. Aquele momento que mais esperamos, onde a vida se apresenta como nossa, surgiu, e se esconder já não faz sentido. Mas se mostrar ainda assusta. O peso do que seremos nunca foi tão grande, mas ao mesmo tempo é como se pudesse voar diante dos meus sonhos.

A mão que olhávamos de baixo e puxávamos quando sentíamos medo, agora está na mesma altura, com uns sinais a mais da idade. Só espero que a gente tenha sabedoria o suficiente para de vez em quando correr para a cama dos nossos pais e pedir socorro quando sentirmos medo, ou do escuro ou da próxima decisão que teremos que tomar. Afinal, não importa se temos 18, 20, 28 ou 35 anos, sempre seremos um pouco crianças.

Certa vez alguém me disse (talvez meu eu interior) , que tem pessoas que não se descobriram nunca, e que talvez elas saibam mais de si do que as que sabem exatamente o que são. Isso de certa forma me reconforta naqueles momentos em que a única certeza que tenho é do quão frágil é nossa vida e de como somos bobos de reclamar tanto dela. Viva as dúvidas, viva os medos, e principalmente, viva a gratidão por tudo o que surgir, até o que for nos dar alguns fios brancos antes do tempo. Ninguém aprende a andar, sem ser andando, e será inevitável algumas quedas (ou muitas) durante o aprendizado. Viva a vida.

TEXTO POR FERNANDA CÂNDIDO – HEY STREET.

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