Hey Street

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AQUELE GRITO EM SILÊNCIO

06/07/2015
Por: fernanda

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Quando eu fico quieta, eu grito por dentro. Mas quando o grito é estridente, só se escuta barulho. As palavras perdem forma. As paredes começam a rachar. Por que de uma certa maneira, nosso corpo é como uma casa. A cada grito em silêncio algo se parte por dentro como se fosse uma marreta destruindo as colunas principais. Ninguém vê. Ninguém ouve. Quem grita é a coragem pedindo direção enquanto a vida sussurra e vai acontecendo sem um rumo certo. E nem sempre é a gente que dá esse rumo. E acabamos ouvindo o medo, que fala manso, se permite ser entendido. E o nascer do sol é adiado para o dia seguinte. E para o dia seguinte novamente.

E o que passa pela triagem interna durante a fila de espera entre o que aconteceu com a gente, o que acontece e o que acontecerá ,resulta no que vamos deixar para o mundo ver e para o nosso espelho se aliviar. Será que desistir de algo que tanto insisto me deixa mais fraca? Ou é o que me faz existir hoje e ser o que sou agora. Talvez a melhor coisa que não me aconteceu foi a melhor coisa que pode ter acontecido. Vai saber. Tenho pressa, e cisma em me render a um passado que é melhor que o presente, mas que infelizmente nunca aconteceu. Hora errada. Lugar errado. Pessoas erradas. Meu “eu” errado. Ainda assim é mais fácil de lidar do que tudo que já me marcou. Já o que ainda não aconteceu, dá aquela gastrite nervosa e aquela sensação de primeira vez que aterroriza até os mais experientes. Para onde ir? Apenas ir. É melhor sentir seu corpo te desafiando, do que não sentir.

Digamos que a vida seja como uma viagem de carro sem mapa. Por sorte a gente se confunde de esquina e para na esquina certa da nossa vida. Mas como vamos saber que a esquina certa da nossa vida é a primeira esquina que viramos? Se no mundo existe um milhão de esquinas possíveis para gente estacionar? Se vamos estacionar no lugar certo ou na vaga errada, e levar uma multa por isso, não sabemos. E sabe se lá quando vamos saber. Será que o horóscopo estava certo e eu devia ter deixado de sair de casa naquela terça-feira? Por que realmente choveu e eu não estava preparada. Mas não procurei uma marquise para esperar a chuva acalmar, me molhei como se a chuva pudesse limpar algo por dentro. E é isso que a vida faz de certa forma, clareia algo por dentro cada vez que a gente entra pra se entregar. Na trajetória as botas ficam mais sujas e gastas,e os pés mais cansados, mas algo se acalma também.

Aquela velha frase de ” Precisamos nos perder para nos encontrar” soa como uma espécie de conforto. Como se fosse uma rede que te impede de dar com a cara no chão ao pular do décimo quinto andar. De vez em sempre nosso grito interno tenta falar com a gente através de metáforas. Não entendemos muito bem, ficamos confusos. E na maioria vezes ele só quer dizer que precisa que a gente viva mais. E isso não significa no momento, que a felicidade vai estar ali junto também. Ela vai aparecer de vez em quando, quase sempre junto com alguma tristeza já diluída, já arquivada. Mas a vida, ela estará aqui o tempo todo enquanto o sangue ainda for bombeado por todo nosso corpo. Nos perdemos em algumas coisas, nos encontramos em outras.

E como saberemos ao certo se aquele sonho que a gente tem toda noite antes de fechar os olhos, que não deixa o nosso corpo já amortecido pelo cansaço encerrar o dia, se manterá vivo todos os dias? Vivendo. E obvio que coisas ruins irão acontecer, mais do que gostaria, mais do que espera-se e quando menos se esperar. Mas existe uma pequena possibilidade de que exatamente essas coisas, te levem para o lugar que você precisa estar. Dentro de você. Em algum lugar.

As vezes quando a gente escreve, respondemos todas as perguntas que fazemos para vida.

FOTO E TEXTO POR FERNANDA CÂNDIDO – HEY STREET.

6 Comentários para "AQUELE GRITO EM SILÊNCIO"

  1. Eveline says:

    Voce toca lá na alma com as suas palavras <3

  2. Isabela says:

    nossa, que texto maravilhoso!! to sem palavras, voce escreve maravilhosamente bem. parabens

  3. Brenda Coutinho says:

    (Já estava quase desistindo de comentar, porque já tentei 5 vezes e sempre aperto o botão errado e apago tudo, mas não deixar de comentar o quanto esse texto mexeu comigo kk)
    CARAMBA, suas palavras são maravilhosas!!
    As vezes passo por uns momentos possamos dizer… “dramáticos” e o problema é que não consigo colocar para fora o que sinto e nem o que penso. Já pensei muitas vezes em começar a escrever, pois querendo ou não é um modo de desabafar. MAS, nunca encontro as palavras certas, se consigo escrever simplesmente, eu saio do foco, e acabo mudando de assunto, sabe? E esse tecto descreveu o que as vezes sinto e não consigo colocar para fora. Continue sempre fazendo esse tipo de texto, pois como me ajuda de certa fora, com certeza ajuda outras pessoas. Parabéns e muito sucesso. Beijos

    • fernanda says:

      Olha, mesmo que você não encontre as palavras perfeitas, escreva, escreva para te aliviar, para te abrir um novo pensamento, para te curar de algo ou escreva só por escrever. A gente é capaz de responder nossos próprios anseios e nem sabe, é só aprender a colocar para fora sem se preocupar se o texto ficará bonito ou não, estando verdadeiro ele já se torna unicamente perfeito. Pode deixar que eu continuarei escrevendo e fico feliz que o texto tenha mexido contigo, desejo sucesso para você e que tudo de bom te ocorra e que você comece a buscar coragem para colocar suas palavras para fora. As vezes a vida é difícil e a gente não sabe o que fazer, mas faz parte do nosso crescimento e eu tenho certeza mesmo sem te conhecer que um dia você vai ver o quanto qualquer dor que te tocou te ajudou a virar a pessoa que você tinha que ser. Adorei você aqui ! <3

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